quinta-feira, 8 de maio de 2008

Em todas as ruas...


"Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco."

segunda-feira, 5 de maio de 2008

TrIsTeZa...

A Tristeza pinta o meu rosto, beija a minha boca.
Abraça-me e dança comigo nos salões do Medo,
enredando-me nos seus olhos e apertando-me no
abraço terno e depressivo.

Sinto o meu coração negro, pesado, pesado demais para
mim.

Dou-me a ela.
Eu sou dela e ela é minha e, neste abraço, quero morrer, sufocada pelo seu corpo, acalmada pela sua voz (ilusivamente consoladora), cegada pelo seu oásis de mentiras.

Quero os teus lábios, ó minha Tristeza, para que possa
sentir mais uma vez o suave beijo, deleitar-me com o
inacabado pranto e desfalecer-me na repentina amargura...

Mas, o imponente cavaleiro, chamado Medo, espera-me no
fim do seu salão.

Tristeza, minha tão fiel companheira, leva-me a ele e despede-se, abdicando da minha alma, deixando-me nos braços do meu mais novo carrasco.

Sim...

Cavalgamos horas e horas por entre bosques de Ilusões, campos de Ódio e palácios de Decepções. Medo, meu cavaleiro, conduz-me perfeitamente. Cavalgamos, cavalgamos e cavalgamos até chegarmos a ela, minha bem-amada, minha perfeita criatura.

Ela, rascunho de meu ser, meu mais novo reflexo.

A doce Tristeza e o frio Medo conduziram-me a ela, a estranha dama conhecida como Loucura.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Amarrada...


...a tantas e tantas coisas, a tantas e tantas situações, a tantos e tantos momentos, a tantas e tantas pessoas...quando vou conseguir libertar-me? Será que quero libertar-me e não consigo, ou prefiro continuar assim...presa a tudo isso...será mais facil, mais cómodo,mais simples... fizeram-me infeliz em determinados momentos e magoaram-me...mas fizeram-me tão feliz noutros...e sinto tanto a falta deles...será essa saudade que me faz continuar assim...

Precisava que alguem me libertasse

Há amores assim...

"Há amores assim
Que nunca têm início
Muito menos têm fim
Na esquina de uma rua
Ou num banco de jardim
Quando menos esperamos
Há amores assim
Não demores tanto assim
Enquanto espero o céu azul
Cai a chuva sobre mim
Não me importo com mais nada
Se és direito ou avesso
Se tu fores o meu final
Eu serei o teu começo
Não vou ganhar
Nem perder
Nem me lamentar
Estou pronta a saltar
De cabeça contra o mar
Não vou medir
Nem julgar
Eu quero arriscar
Tenho encontro marcado
Sem tempo nem lugar
Um amor nunca se escolhe
Quando te encontrar sei que tudo se iluminará
Reconhecerei em ti meu amor,
A saudade já me invade
Mesmo antes de te alcançar
Sou dona da minha vida
Sem nada mais nada..."